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Focaccia de azeite e alecrim sem sovar

Massa molhada de dobras, assada em assadeira com bastante azeite, com miolo alveolado e fundo dourado. Rende 12 pedaços.

Focaccia
Foto ilustrativa: “Focaccia”, de leivajd · CC BY 2.0 · foto recortada · via Openverse · ver original
Publicado em 20 de agosto de 2026 · Custo aproximado: R$ 14
Preparo
20 min
Cozimento
25 min
Rende
12 pedaços
Dificuldade
Fácil

Focaccia é o pão com a melhor relação entre resultado e dificuldade que existe. Não precisa sovar, não precisa modelar, não precisa panela de ferro nem pedra de forno — só uma assadeira e bastante azeite.

O que ela precisa é de tempo e de uma massa mais molhada do que parece razoável.

Oitenta por cento de água

A hidratação de uma massa é a proporção entre água e farinha. Um pão de forma comum fica em torno de 60%. Esta focaccia usa 80%: 400 ml de água para 500 g de farinha.

Essa água toda faz três coisas:

  • Cria os alvéolos. Água vira vapor no forno, e vapor abre buracos. Miolo de focaccia é buraco.
  • Permite o glúten sem sova. Numa massa molhada as proteínas se movem e se encontram sozinhas. Isso é o que o pão sem sova faz com 12 horas; aqui as dobras aceleram.
  • Deixa a massa impossível de sovar. Não tem como sovar isso na bancada sem adicionar meio quilo de farinha. Daí o método de dobras.

A regra prática que resolve todo o manuseio: mão molhada, não enfarinhada. Massa não gruda em mão úmida, e água não muda a receita.

As dobras, em quatro séries

Cada série leva trinta segundos, dentro da própria tigela:

  1. Molhe a mão.
  2. Pegue a massa por baixo de um lado, estique para cima uns 20 cm sem rasgar, e dobre por cima do centro.
  3. Gire a tigela um quarto de volta.
  4. Repita mais três vezes, completando a volta.

Quinze minutos de descanso e outra série. Quatro séries no total.

O que você vê acontecer é convincente: na primeira série a massa é uma poça que se estica sem resistência. Na quarta, ela tem tensão, brilha e volta ao lugar quando você solta.

Isso é a rede de glúten se formando, no mesmo prazo em que você lava a louça.

O azeite na assadeira não é para untar

Três colheres de azeite no fundo de uma assadeira parecem exagero. Não são.

Enquanto a focaccia assa, o azeite atinge temperatura alta e frita a superfície inferior da massa. É isso que dá o fundo dourado, crocante e ligeiramente estalado que distingue uma focaccia caseira boa de um pão achatado.

Com pouco azeite, o fundo só assa. Fica pálido e macio, e a focaccia inteira parece sem graça.

A mistura de azeite com água regada por cima antes de assar tem outra função: a água evapora e mantém a superfície úmida nos primeiros minutos, o que deixa a massa crescer mais antes de a crosta se formar.

Variações

Com tomate-cereja. Metades enfiadas nos furos antes de assar, cortadas para cima. Salgue-as levemente.

Com azeitona e orégano. Azeitonas pretas sem caroço afundadas nos furos e orégano seco na superfície.

Com cebola. Uma cebola em rodelas finas, misturada ao azeite de cima. Ela caramela nos 25 minutos.

Com batata. Batatas em rodelas de 2 mm, cruas, sobre a massa. Ficam macias por baixo e crocantes nas bordas.

Doce. Sem sal grosso e sem alecrim: uvas, açúcar e alecrim. É uma combinação antiga e funciona.

Custo

R$ 14 por 12 pedaços, cerca de R$ 1,15 cada — e o azeite é dois terços disso. É o pão em que vale mais a pena comprar azeite razoável, porque ele é o sabor principal e não tem como esconder um azeite ruim.

Ingredientes

Massa

  • 500 g de farinha de trigo (cerca de 4 xícaras)
  • 400 ml de água morna
  • 7 g de fermento biológico seco
  • 10 g de sal (2 colheres de chá rasas)
  • 1 colher de chá de açúcar
  • 3 colheres de sopa de azeite de oliva

Para a assadeira e por cima

  • 5 colheres de sopa de azeite de oliva
  • 2 colheres de sopa de água
  • Folhas de 3 ramos de alecrim fresco
  • Flor de sal ou sal grosso moído

Modo de preparo

  1. Misture a farinha, o fermento, o açúcar e o sal numa tigela grande, com o sal de um lado e o fermento do outro.

  2. Junte a água morna e as 3 colheres de azeite e misture com uma colher até não sobrar farinha seca. A massa fica muito mole e grudenta, quase como um mingau grosso. É assim mesmo — a hidratação é de 80%.

  3. Cubra e espere 15 minutos. Depois faça a primeira série de dobras: molhe a mão, pegue a massa por baixo de um lado, estique para cima e dobre por cima dela mesma. Gire a tigela um quarto de volta e repita, 4 vezes ao todo.

  4. Repita a série de dobras mais 3 vezes, com 15 minutos de intervalo entre elas. Em uma hora você trabalhou 2 minutos no total e a massa saiu de uma poça para uma bola lisa que segura formato.

  5. Cubra e deixe crescer até dobrar de volume — 1 hora a 1 hora e meia numa cozinha morna, ou a noite inteira na geladeira, que dá bem mais sabor.

  6. Regue uma assadeira de 30 x 20 cm com 3 colheres de azeite, espalhando pelo fundo e pelas laterais. Não economize: o azeite frita o fundo da focaccia e é o que dá a crosta.

  7. Despeje a massa na assadeira e espalhe com as pontas dos dedos untadas, sem apertar, até cobrir. Se ela resistir e voltar, espere 10 minutos e tente de novo — o glúten precisa relaxar.

  8. Deixe descansar coberta por mais 45 minutos, até a massa ficar inchada e cheia de bolhas visíveis.

  9. Preaqueça o forno a 220 °C. Misture as 2 colheres restantes de azeite com as 2 de água e regue por cima. Afunde os dedos até o fundo da assadeira, fazendo os furos característicos, e espalhe o alecrim e a flor de sal.

  10. Asse por 22 a 25 minutos, até a superfície ficar dourada e as bordas corarem bem. Levante um canto com a espátula: o fundo deve estar dourado e firme, não pálido.

  11. Retire da assadeira imediatamente e deixe esfriar sobre uma grade por 15 minutos. Deixada na assadeira quente, ela cozinha no próprio vapor e o fundo amolece.

Dicas da Laura

  • Não pule as dobras achando que é sova disfarçada. Elas fazem duas coisas que a sova não faz numa massa tão molhada: alinham o glúten sem incorporar farinha extra e redistribuem o fermento e a temperatura.
  • A fermentação lenta na geladeira, de 12 a 18 horas, melhora muito o sabor. Faça as dobras, cubra a tigela e leve à geladeira. No dia seguinte, deixe 1 hora em temperatura ambiente antes de espalhar na assadeira.
  • Alecrim seco funciona, usando 1 colher de chá, mas queima com facilidade a 220 °C. Misture-o ao azeite da superfície em vez de espalhar direto na massa.
  • Dura 2 dias em temperatura ambiente, embrulhada em pano. No terceiro dia, corte em fatias e leve ao forno a 180 °C por 5 minutos — volta a ficar crocante.

Perguntas frequentes

A massa está mole demais para trabalhar. Errei a medida?

Provavelmente não. Esta massa tem 80% de hidratação — 400 ml de água para 500 g de farinha — e é para ser mole mesmo. Ela nunca vai virar uma bola que você segura na mão como massa de pão comum. O manuseio se faz com a mão molhada, não enfarinhada: água impede que a massa grude sem alterar a receita.

Por que os furos com o dedo?

Eles têm função, não são só estética. Os furos impedem que a focaccia cresça uniforme e vire um pão de forma achatado — eles criam as regiões baixas onde o azeite se acumula e frita, e as regiões altas que ficam aeradas. É o contraste entre os dois que caracteriza a focaccia. Afunde até sentir o fundo da assadeira.

Posso usar óleo em vez de azeite?

Funciona tecnicamente, mas a focaccia é essencialmente um pão de azeite — o sabor vem daí. Com óleo neutro você tem um pão achatado macio, o que não é ruim, mas não é focaccia. Se o azeite extravirgem estiver caro, use um azeite comum na massa e guarde o bom para regar por cima no fim.

Dá para fazer em forma redonda?

Dá. Uma forma redonda de 28 cm tem área parecida com a assadeira retangular de 30 x 20 cm, então a espessura fica igual. O que importa é a massa ficar com 2 a 2,5 cm de altura antes de assar. Numa assadeira muito grande ela fica fina e vira uma pizza; numa muito pequena, o meio não assa.

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